quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A todos os que desafiam a deixar uma marca!


A angústia de uma folha em branco...
Todos temos capacidades, mas quase todos precisamos que alguém nos ensine a desenvolve-las e a acreditar nas mesmas.
É, em traços largos, a mensagem que o magnífico livro o ponto, do autor e ilustrador Peter H. Reynolds, nos transmite.
Esta mensagem é direccionada às crianças, mas também aos adultos (pais, professores, educadores em geral).
Vera, a menina da história, teve a sorte de ter uma professora de desenho que verdadeiramente sabia ensinar: acreditar nas potencialidades de todos, motivar em vez da crítica destrutiva (tão tentadoramente mais fácil...).
Vera não só aprendeu a acreditar nas suas potencialidades como aprendeu a fazer os outros acreditarem.
Todos merecemos uma magnífica moldura dourada!
Às Veras e professoras de desenho que encontramos na vida!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Livros de cabeceira


A solidão dos números primos foi vencedor da 62ª edição do Prémio Strega e obteve uma menção honrosa na edição de 2008 do Prémio Campiello. Dois dos mais prestigiosos galardões da literatura italiana para a primeira obra de um autor de 26 anos, licenciado em Física e a douturar-se em Física das Partículas.
Paolo Giordano referiu ter utilizado o método matemático na elaboração do romance de forma a obter uma escrita rigorosa, séria, veloz e constante.
Os números numa contribiução preciosa à literatura.
Quantos de nós somos números primos?
Fabuloso romance sobre a infância, a adolescência e o que acontecimentos traumáticos potenciam na personalidade e vivências do ser humano.

domingo, 2 de agosto de 2009

Em Montemor-o-Novo






No mês em que o destino mais comum dos Portugueses é o sul do país, fica aqui a proposta de uma exposição em Montemor-o-Novo.
Erwin Olaf é um fotógrafo holandês que tem feito correr muita tinta com as suas séries de fotografias muitas vezes polémicas devido ao excesso de emoções que transmitem.
Olaf mudou, amadureceu. Aos 50 anos sentiu necessidade de abrandar e é isso que podemos constatar no Convento da Saudação.
São apresentados trabalhos criados originalmente para o Teatro de la Laboral, em Gijon, Espanha e que têm como referência a escola espanhola de pintura.
São imagens coladas às figuras, às poses e aos ambientes das pinturas em que se baseiam.
A ver até 31 de Agosto.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Merce Cunningham


O ano de 2009 está a ser um ano de perda de grandes figuras da Dança Mundial.
Depois de Pina Baush, faleceu ontem, em Nova Iorque, o coreógrafo Merce Cunningham, aos 90 anos.
Foi percursor de duas tendências da dança moderna americana (Pos Modern e a Nouvelle Dance) e marcou a evolução da dança ao relacioná-la com as artes plásticas e com a música contemporânea. Merce e John Cage trabalharam em conjunto desde os anos 40 até à morte do compositor, no início da década de 90.

domingo, 26 de julho de 2009

Gao Xingjian expõe em Sintra




O Prémio Nobel da Literatura de 2000 é também dramaturgo, crítico e pintor.
É o seu trabalho como artista plástico que pode ser apreciado no Sintra Museu de Arte Moderna - Colecção Berardo, desde o dia 27 de Junho.
A colecção tem o título de Depois do Dilúvio e é composta por 78 obras a tinta-da-china sobre papel e tela.

sábado, 25 de julho de 2009

Alice no reino da Suécia



A escritora Alice Vieira viu aumentar o número de prémios em 30 anos de carreira literária.
Desta vez foi o Prémio Peter Pan (atribuído anualmente a um livro infantil ou juvenil, de autor estrangeiro, pela Feira do Livro de Gotemburgo e pelo International Board on Books for Young People -IBBY-).
A Estrela de prata distinguiu a obra Flor de Mel , publicada em 2008 pela editora sueca Lusima Böcker. Em Portugal, o livro foi publicado pela Caminho, editora habitual de Alice Vieira.
O prémio será entregue à autora em Setembro.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Um poema escrito a pincel






"Pintura é a vida, a verdadeira vida, a minha vida."
Victor Brauner

Victor Brauner (1903-1966)nasceu na Roménia.
Começou por pintar paisagens, inspirado em Cézanne, passou pelo dadaísmo, abstracionismo e o expressionismo, mas foram as suas obras surrealistas que o tornaram célebre.
Participou em várias exposições internacionais, entre as quais, Paris, Bruxelas e Nova Iorque.
No ano da sua morte, foi escolhido para representar a França na Bienal de Veneza.
Foi também escritor, trabalhou com ilustrações e arte fotográfica.
Luíza Neto Jorge escreveu o poema Um quadro de Brauner inspirada na sua obra.


Brauner põe-se a pintar
a procura o fundo apego
do homem à pele do medo

Desfaz as linhas do corpo
como se linhas da mão
dá ao sexo o lugar
que dá à flor

Brauner pinta com a língua
ou outro orgão do amor
o que o braço não podia

tanto é a cor mais dura
com o peso da sabedoria

Mostrar um pássaro na mão
é o que Brauner consegue
mas tão somente essa mão
pica no pássaro que a fere

Mostrar o orifício oco
da orelha colocada
no lado onde a sentimos
ouvir e morrer calada
sobre o veneno do bico
tentando beijá-lo abri-lo
tentando ouvi-lo escutá-lo

O ser que pode ser
aquilo que Brauner não quer ser
move-se na tela com o medo

de quem perdeu a sombra
num deserto ao meio-dia
uma claustrofobia
do espírito dentro da luz

Luiza Neto Jorge, Poesia, Assírio & Alvim, 1993, pp. 82-83